Precificação de Marmitas: Calcule o Preço e Lucre Mais

Precificação de Marmitas

Precificação de Marmitas: Calcule o Preço e Lucre Mais

Começar a vender comida pode parecer simples, porém existe uma decisão que pode determinar se o negócio realmente dará dinheiro: a precificação de marmitas. Afinal, não basta somar o preço do arroz, feijão e carne e acrescentar alguns reais. Existem vários custos que precisam ser considerados antes de definir quanto cobrar.

Muitos pequenos empreendedores vendem bastante e, ainda assim, terminam o mês com pouco dinheiro. Isso acontece porque faturamento não é a mesma coisa que lucro. Portanto, se o preço da marmita não cobre ingredientes, embalagens, gás, energia, taxas, desperdícios e outros gastos, uma parte do dinheiro necessário para manter o negócio sai do próprio bolso do empreendedor.

Por outro lado, cobrar um valor aleatório também não é uma boa estratégia. Um preço muito alto pode afastar clientes, enquanto um preço excessivamente baixo pode aumentar as vendas e, paradoxalmente, piorar o resultado financeiro.

Por isso, entender como calcular o preço de venda é fundamental. A seguir, você verá uma forma simples de organizar os custos e chegar a um valor muito mais seguro.

Kit 6 Potes de Vidro Herméticos Retangulares 640mL com Tampa para Marmita e Freezer

O que é precificação de marmitas?

A precificação de marmitas é o processo de calcular quanto você precisa cobrar por cada unidade para cobrir os custos do negócio e ainda obter lucro.

Em outras palavras, o preço não deve ser escolhido apenas observando quanto os concorrentes cobram.

O mercado é importante, naturalmente. Entretanto, cada negócio possui uma estrutura diferente. Um concorrente pode comprar ingredientes em grandes quantidades, pagar menos pelas embalagens ou produzir 200 refeições diariamente. Já quem está começando pode preparar apenas 15 ou 20 unidades.

Consequentemente, os custos por marmita podem ser completamente diferentes.

Uma precificação saudável considera três elementos principais:

  1. custos dos ingredientes;
  2. demais despesas do negócio;
  3. margem de lucro desejada.

Além disso, é necessário comparar o resultado com os preços praticados pelo mercado.

Por que a precificação de marmitas é tão importante?

Imagine que você venda uma marmita por R$ 18.

À primeira vista, parece um bom negócio se os ingredientes custarem R$ 9.

Você poderia pensar:

R$ 18 – R$ 9 = R$ 9 de lucro.

Porém, provavelmente esses R$ 9 não representam o lucro verdadeiro.

Ainda existem despesas como embalagem, gás, água, energia elétrica, temperos, óleo, produtos de limpeza, taxas de pagamento, divulgação e possíveis desperdícios.

Além disso, existe o seu trabalho.

Portanto, quando todos esses gastos são considerados, o lucro real pode ser muito menor.

É justamente por isso que uma boa precificação ajuda a responder uma pergunta essencial:

quanto realmente sobra no bolso depois de vender cada marmita?

Quanto mais clara for essa resposta, melhor será sua capacidade de administrar o negócio.

Livro Só Para Um Alimentação Saudável... - Rita Lobo

Quais custos entram na precificação de marmitas?

Antes de fazer qualquer cálculo, anote os gastos envolvidos na produção.

Embora alguns pareçam pequenos individualmente, juntos eles podem representar uma parcela relevante do preço final.

Ingredientes

Primeiramente, considere todos os alimentos utilizados.

Por exemplo:

  • arroz;
  • feijão;
  • carnes;
  • legumes;
  • verduras;
  • óleo;
  • alho;
  • cebola;
  • sal;
  • temperos;
  • molhos.

Entretanto, não use simplesmente o preço do pacote inteiro.

Você precisa descobrir quanto daquele produto é utilizado em cada porção.

Suponha, por exemplo, que um pacote de arroz custe R$ 30 e permita preparar 50 porções.

Nesse caso:

R$ 30 ÷ 50 = R$ 0,60 por porção.

Faça esse cálculo com os principais ingredientes.

Dessa maneira, você começará a descobrir o custo real da refeição.

Embalagem

Outro erro comum é esquecer a embalagem.

Dependendo do negócio, podem existir:

  • marmita;
  • tampa;
  • sacola;
  • guardanapo;
  • talheres descartáveis;
  • etiquetas;
  • lacres.

Se todo esse conjunto custar R$ 1,50, por exemplo, esse valor precisa entrar no cálculo.

Afinal, sem embalagem você provavelmente não conseguiria entregar o produto ao cliente.

Gás, água e energia

Em seguida, considere os custos de produção.

Naturalmente, calcular exatamente quanto de gás ou eletricidade foi utilizado em uma única marmita pode ser complicado.

Por isso, uma alternativa é analisar os gastos mensais e distribuir uma parcela entre as unidades produzidas.

Suponha que os gastos relacionados à produção sejam R$ 450 no mês e você produza 600 marmitas.

Nesse exemplo:

R$ 450 ÷ 600 = R$ 0,75 por marmita.

É uma estimativa, mas já oferece uma visão muito melhor do que simplesmente ignorar a despesa.

Como fazer a precificação de marmitas passo a passo

Agora podemos organizar o cálculo.

O primeiro passo é descobrir o custo unitário.

Vamos imaginar uma marmita tradicional com os seguintes custos:

  • arroz: R$ 0,80;
  • feijão: R$ 1,00;
  • carne: R$ 4,80;
  • salada e legumes: R$ 1,40;
  • temperos e óleo: R$ 0,70;
  • embalagem: R$ 1,50.

Somando:

R$ 0,80 + R$ 1,00 + R$ 4,80 + R$ 1,40 + R$ 0,70 + R$ 1,50 = R$ 10,20.

Até aqui, portanto, temos R$ 10,20 de custos diretamente associados à marmita neste exemplo.

Porém, ainda precisamos considerar outros gastos.

Exemplo de precificação de marmitas na prática

Vamos acrescentar uma estimativa das despesas indiretas.

Suponha que, depois de distribuir gastos com gás, energia, água, limpeza e outros custos de produção, você chegue a mais R$ 1,80 por unidade.

Assim:

R$ 10,20 + R$ 1,80 = R$ 12,00.

Portanto, o custo estimado da marmita seria R$ 12.

Agora imagine que você simplesmente venda por R$ 13.

Embora exista uma diferença de R$ 1 entre custo e preço, essa margem provavelmente será insuficiente para lidar com imprevistos e gerar um retorno interessante para o negócio.

É nesse momento que entra a margem de lucro.

Como calcular a margem de lucro da marmita?

Existe uma diferença importante entre simplesmente acrescentar uma porcentagem ao custo e trabalhar com uma margem sobre o preço de venda.

Se o custo é R$ 12 e você simplesmente acrescentar 30%, terá:

R$ 12 × 1,30 = R$ 15,60.

Nesse caso, o ganho bruto sobre o custo seria R$ 3,60.

Porém, se a sua intenção for obter uma margem de 30% sobre o preço de venda, o cálculo é diferente:

Preço = custo ÷ (1 – margem desejada)

Assim:

R$ 12 ÷ (1 – 0,30)

R$ 12 ÷ 0,70 = R$ 17,14.

Portanto, são conceitos diferentes.

Essa distinção é importante porque confundir margem com simples acréscimo sobre o custo pode fazer você acreditar que está trabalhando com uma rentabilidade maior do que realmente está.

Além disso, taxas e impostos eventualmente aplicáveis ao seu negócio também precisam ser avaliados separadamente.

Quanto cobrar por uma marmita?

Não existe um preço único que funcione para todo mundo.

O valor depende de fatores como:

  • região;
  • tamanho da marmita;
  • tipo de proteína;
  • qualidade dos ingredientes;
  • público-alvo;
  • custos operacionais;
  • concorrência;
  • modalidade de entrega;
  • posicionamento do negócio.

Por isso, a pergunta mais útil não é apenas “quanto os outros cobram?”, mas:

quanto preciso cobrar para que meu negócio seja sustentável?

Depois de encontrar esse valor, compare-o com o mercado.

Se o cálculo indicar R$ 25, por exemplo, enquanto concorrentes semelhantes vendem por R$ 17, não significa necessariamente que você deva reduzir imediatamente seu preço.

Antes disso, investigue seus custos.

Talvez esteja pagando caro pelos ingredientes, desperdiçando alimentos, utilizando porções maiores do que o necessário ou comprando embalagens pouco econômicas.

Por outro lado, seu produto pode oferecer diferenciais que justifiquem um preço maior.

Precificação de marmitas e custos de delivery

Se você trabalha com entregas, tenha atenção redobrada.

Frete, combustível, entregadores e taxas de plataformas podem alterar significativamente o resultado.

Consequentemente, vender uma marmita diretamente por determinado preço e oferecer o mesmo valor em um canal que possui custos adicionais pode reduzir sua margem.

Antes de definir os preços, portanto, descubra quanto custa cada canal de venda.

Também evite aumentar preços de forma indiscriminada apenas para compensar taxas. Primeiro, faça as contas e avalie as condições comerciais e regras aplicáveis ao canal utilizado.

7 erros na precificação de marmitas que podem acabar com o lucro

1. Copiar o preço da concorrência

Observar concorrentes ajuda a entender o mercado. Contudo, copiar preços sem conhecer seus próprios custos é perigoso.

2. Esquecer ingredientes baratos

Sal, óleo, alho e temperos parecem gastos pequenos. Entretanto, quando você produz centenas de refeições, eles deixam de ser insignificantes.

3. Não considerar desperdícios

Alimentos estragam, porções podem sair maiores e alguns ingredientes possuem partes descartadas.

Portanto, acompanhe as perdas.

4. Confundir faturamento com lucro

Vender R$ 10 mil não significa ganhar R$ 10 mil.

Primeiramente, todos os custos e despesas precisam ser pagos.

5. Não padronizar as porções

Se uma marmita recebe 120 gramas de carne e outra recebe 180 gramas pelo mesmo preço, seu custo ficará imprevisível.

Assim, padronizar porções ajuda tanto na qualidade quanto no controle financeiro.

6. Esquecer o próprio trabalho

Seu tempo também possui valor.

Embora pequenos negócios frequentemente misturem remuneração pessoal e dinheiro da empresa, separar essas duas coisas ajuda a entender se a operação realmente é sustentável.

7. Nunca atualizar os preços

Os custos mudam.

Carne, arroz, óleo, embalagens e gás podem ficar mais caros. Por isso, uma precificação feita há muitos meses pode não representar mais a realidade.

Como reduzir o custo das marmitas sem perder qualidade

Aumentar preços não é a única maneira de melhorar a rentabilidade.

Primeiramente, acompanhe o desperdício.

Se você compra 20 quilos de determinado alimento, por exemplo, mas uma parte considerável acaba sendo descartada, existe uma oportunidade de economia.

Além disso, compare fornecedores.

Entretanto, não considere somente o preço. Analise também qualidade, prazo, quantidade mínima de compra e regularidade das entregas.

Outra estratégia é planejar o cardápio.

Ingredientes que podem ser aproveitados em diferentes pratos ajudam a reduzir perdas e facilitam as compras.

Além disso, padronize as receitas.

Crie uma ficha simples para cada marmita contendo ingredientes, quantidades e rendimento. Dessa forma, fica muito mais fácil saber quanto cada prato realmente custa.

Quando aumentar o preço das marmitas?

Aumentar preços pode gerar insegurança, especialmente quando você teme perder clientes.

Porém, manter um preço que gera prejuízo também não é uma solução.

Por isso, acompanhe periodicamente:

  • custo dos ingredientes;
  • preço das embalagens;
  • despesas de produção;
  • taxas;
  • custos de entrega;
  • margem obtida.

Se os custos aumentarem de maneira persistente, recalcule a precificação.

Além disso, evite esperar até que sua margem praticamente desapareça.

Uma revisão periódica permite tomar decisões com mais tranquilidade e planejamento.

Como organizar as finanças de quem vende marmitas

Uma boa precificação de marmitas funciona ainda melhor quando existe organização financeira.

Por isso, procure separar o dinheiro pessoal do dinheiro do negócio.

Por exemplo, se você recebeu R$ 500 em vendas, não considere automaticamente esse valor como dinheiro disponível para gastos pessoais.

Uma parte precisará financiar novas compras, pagar despesas e manter a operação.

Além disso, registre entradas e saídas.

Você não precisa começar com um sistema complicado. Uma planilha ou método simples de controle já pode ajudar bastante.

Aqui no Casa e Finanças, você também pode consultar outros conteúdos sobre organização financeira, economia doméstica e formas de melhorar sua relação com o dinheiro na página de Finanças do Casa e Finanças.

Além disso, quem está transformando a venda de marmitas em uma fonte complementar de receita pode acompanhar os conteúdos da categoria Renda Extra do Casa e Finanças.

Precificação também exige atenção à formalização

Conforme o negócio cresce, outras questões começam a fazer parte das finanças.

Tributos, emissão de documentos, enquadramento empresarial e obrigações legais, por exemplo, podem impactar os custos.

Por isso, vale consultar informações oficiais antes de tomar decisões.

O Portal do Empreendedor reúne orientações governamentais relacionadas ao Microempreendedor Individual (MEI).

Além disso, informações tributárias e cadastrais podem ser consultadas diretamente na Receita Federal.

Dessa forma, você evita basear decisões importantes apenas em informações encontradas nas redes sociais.

Uma planilha simples pode transformar sua precificação

Você pode criar uma tabela com estas informações para cada produto:

Produto | Quantidade usada | Custo da quantidade | Custo da embalagem | Outros custos | Custo total | Preço de venda

Depois, atualize os valores sempre que houver mudanças significativas nos preços dos fornecedores.

Por exemplo, se a carne subir de R$ 30 para R$ 36 por quilo, você conseguirá visualizar rapidamente o impacto dessa alteração.

Além disso, acompanhe quantas marmitas são vendidas.

Imagine que sua margem disponível depois dos custos considerados seja R$ 5 por unidade.

Vendendo 20 marmitas:

20 × R$ 5 = R$ 100.

Vendendo 100:

100 × R$ 5 = R$ 500.

Esse acompanhamento ajuda a estabelecer metas e, principalmente, mostra que pequenas diferenças no resultado por unidade ganham importância quando o volume aumenta.

Não escolha o preço apenas para ser o mais barato

Existe uma ideia bastante comum entre quem começa a vender alimentos: cobrar barato para conquistar clientes.

Embora preços competitivos possam ajudar, ser o mais barato não garante sucesso.

Na verdade, preços excessivamente baixos podem criar dois problemas.

Primeiramente, você pode trabalhar muito e ganhar pouco.

Além disso, quando precisar corrigir o preço, seus clientes podem sentir um aumento muito maior.

Portanto, busque oferecer valor, e não simplesmente o menor preço.

Boa apresentação, sabor, pontualidade, higiene, atendimento e consistência também influenciam a decisão do consumidor.

Consequentemente, uma marmita bem posicionada não precisa competir exclusivamente pelo preço.

Precificação de marmitas: transforme vendas em lucro de verdade

Fazer a precificação de marmitas corretamente é uma das etapas mais importantes para transformar a venda de refeições em uma atividade financeiramente sustentável.

Em vez de escolher um número por intuição, coloque os custos no papel.

Calcule ingredientes, embalagens, despesas de produção, desperdícios e demais gastos relacionados à operação. Depois, determine a margem necessária e compare seu preço com o mercado.

Acima de tudo, revise os números periodicamente.

Afinal, um preço adequado hoje pode deixar de funcionar quando os custos mudarem.

Se você vende ou pretende começar a vender marmitas, faça agora uma lista de todos os custos de uma única refeição e calcule quanto realmente sobra do preço cobrado. Esse pequeno exercício pode revelar rapidamente onde seu dinheiro está indo.

E continue acompanhando o Casa e Finanças para aprender a organizar melhor seu dinheiro, controlar gastos e transformar uma renda extra em resultados financeiros mais consistentes.

Rolar para cima